A cirurgia de refluxo é indicada em casos mais graves e quando o tratamento clínico não controla os sintomas de refluxo gastroesofágico
O refluxo gastroesofágico é uma condição em que o ácido do estômago retorna para o esôfago, causando irritação na mucosa esofágica. Esse problema pode provocar sintomas como azia, regurgitação de alimentos, dor no peito e dificuldade para engolir. Em casos mais graves, o refluxo pode levar a complicações como esofagite, úlceras esofágicas e até alterações na voz, afetando a qualidade de vida dos pacientes.
O tratamento para refluxo geralmente começa com mudanças no estilo de vida e o uso de medicamentos para controlar a produção de ácido no estômago. No entanto, quando essas abordagens não são suficientes para controlar os sintomas, a cirurgia de refluxo gastroesofágico pode ser indicada. Saiba mais a seguir!
Como funciona a cirurgia de refluxo?
A cirurgia de refluxo, chamada fundoplicatura, é um procedimento destinado a corrigir o refluxo gastroesofágico quando os tratamentos clínicos não são eficazes. O objetivo da cirurgia é reforçar a barreira entre o estômago e o esôfago para evitar que o ácido do estômago suba para o esôfago, aliviando assim os sintomas de refluxo.
Durante a fundoplicatura, o cirurgião envolve a parte superior do estômago (o fundo) ao redor do esôfago, criando uma espécie de válvula que impede o retorno do conteúdo gástrico. Esse procedimento pode ser realizado por meio de uma cirurgia aberta ou, mais comumente, por laparoscopia, que é minimamente invasiva, utilizando pequenas incisões e uma câmera para guiar o cirurgião.
Quando a cirurgia de refluxo é indicada?
A cirurgia de refluxo é indicada para pacientes que sofrem de refluxo gastroesofágico grave e crônico, quando os tratamentos tradicionais, como mudanças no estilo de vida e medicamentos, não são eficazes. Também pode ser recomendada quando o paciente não consegue tolerar os medicamentos ou quando os sintomas afetam de forma significativa a qualidade de vida.
Além disso, a cirurgia é uma opção para aqueles que apresentam complicações mais sérias, como esofagite, úlceras no esôfago ou estreitamento do esôfago devido ao refluxo contínuo.
Como é realizado o diagnóstico para ver a necessidade da cirurgia?
O diagnóstico para a necessidade de cirurgia de refluxo é feito com base na avaliação dos sintomas do paciente, exames clínicos e testes específicos. Os médicos geralmente começam com uma avaliação da história médica detalhada e dos sintomas, como azia frequente e regurgitação.
Exames como a endoscopia, no qual o esôfago é visualizado diretamente, e a pHmetria, que mede a quantidade de ácido no esôfago, são usados para confirmar o diagnóstico e verificar a gravidade do refluxo. Além disso, em alguns casos, pode ser feita uma manometria esofágica para avaliar o funcionamento do esôfago e verificar se há algum problema no esfíncter esofágico inferior, a principal válvula responsável por impedir o refluxo.
A cirurgia de refluxo pode ser perigosa?
Assim como qualquer procedimento cirúrgico, a cirurgia de refluxo envolve alguns riscos, mas geralmente é considerada segura quando realizada por profissionais experientes. Os riscos associados à cirurgia de refluxo incluem complicações como infecção, sangramento, dificuldades para engolir (disfagia), dor persistente ou sensação de inchaço e, em casos mais raros, lesões em órgãos próximos, como o esôfago ou o estômago.
Além disso, alguns pacientes podem apresentar dificuldades em digerir certos alimentos após a cirurgia ou desenvolver gases e inchaço. Em casos raros, a cirurgia pode não ser completamente eficaz e os sintomas de refluxo podem voltar. No entanto, esses riscos são geralmente baixos, e a grande maioria dos pacientes experimenta alívio significativo dos sintomas de refluxo após a operação.
Quanto tempo demora a recuperação da cirurgia de refluxo?
A recuperação da cirurgia de refluxo, especialmente quando realizada por laparoscopia, técnica minimamente invasiva, costuma ser relativamente rápida. Em geral, o tempo de recuperação varia de paciente para paciente, mas pode-se esperar o seguinte:
- 1 a 2 dias de hospitalização;
- Uma a duas semanas para retornar às atividades leves, como caminhar;
- Duas a 4 semanas para retornar ao trabalho e às demais atividades cotidianas;
- 4 a 6 semanas para o retorno às atividades mais intensas, como exercícios pesados;
- 2 a 3 meses para recuperação completa.
O acompanhamento médico após a cirurgia é fundamental para monitorar a recuperação e verificar se há sinais de complicações.
O que fazer ou não fazer no pós-operatório da cirurgia de refluxo?
Após a cirurgia de refluxo, seguir as orientações do médico é crucial para uma recuperação tranquila e sem complicações. Aqui estão algumas recomendações do que fazer durante o pós-operatório:
- Seguir as orientações alimentares passadas pelo especialista;
- Manter-se hidratado;
- Realizar caminhadas curtas e leves para ajudar na circulação sanguínea e prevenir complicações;
- Tomar os medicamentos conforme orientação;
- Descansar adequadamente.
Por outro lado, não é recomendado que o paciente:
- Consuma alimentos sólidos e pesados nos primeiros dias;
- Levante objetos pesados ou faça esforço físico nas primeiras 4 a 6 semanas;
- Fume e beba álcool.
Tipos de cuidados necessários
A alimentação após a cirurgia deve ser controlada para evitar irritações no esôfago e no estômago. Nos primeiros dias, é recomendada uma dieta líquida e, conforme a recuperação, passa-se a introduzir alimentos pastosos e leves. Evitar alimentos gordurosos, condimentados ou ácidos nas primeiras semanas é fundamental.
Consultas regulares com o médico também são necessárias para monitorar a recuperação, avaliar a eficácia da cirurgia e tratar qualquer complicação que possa surgir. Se a cirurgia foi realizada de forma aberta, com incisões maiores, é importante manter os locais delas limpos e secos.
Cardápio indicado para quem fez cirurgia de refluxo
Após a cirurgia de refluxo, o cardápio precisa ser adaptado para facilitar a recuperação e evitar irritações no esôfago e no estômago. Nos primeiros dias, a alimentação deve ser suave e progressivamente os alimentos podem ser introduzidos de forma mais sólida.
O ideal é que, no início, a dieta seja líquida e pastosa, incluindo caldos sem tempero forte e sopas ralas, chá de camomila, mingau de aveia bem diluído, iogurte natural sem açúcar, purê e cremes. Após uma a duas semanas, podem ser incluídos na dieta alimentos mais pastosos e de fácil digestão, como pães sem casca, banana amassada, maçã cozida, mingau de aveia com leite desnatado, frango ou peixes cozidos e bem desfiado, legumes cozidos e gelatinas.
Após 3 a 4 semanas, podem ser introduzidos os alimentos sólidos e mais variados, evitando alimentos gordurosos, frituras, alimentos com pimenta, molho à base de tomate e bebidas com cafeína. É necessário evitar comer muito rapidamente, mastigando bem os alimentos para facilitar a digestão.
Quem devo procurar para tratamento de refluxo?
Para o tratamento de refluxo gastroesofágico, o médico mais indicado é o gastroenterologista, que é o especialista responsável pelo diagnóstico e tratamento de doenças do sistema digestivo, incluindo o refluxo. Nos casos cirúrgicos, o tratamento é realizado pelo cirurgião do aparelho digestivo, que detém conhecimento especializado neste tipo de intervenção.
O tratamento pode incluir, ainda, a participação de um nutricionista para ajudar a planejar uma dieta adequada para o controle do refluxo e para o pós-operatório.
Fontes:
Biblioteca Virtual em Saúde
Manual MSD

